TEMPO PROFUNDO


18/02/2010


 

Bioma do Cerrado, é um privilégio tanta riqueza


Oi, gente. Tô na área aí de novo pra 2010. Tentarei, sempre que possível, manter esse espaço atualizado e com assuntos que sejam de interesse para as nossas discussões. Tenho falado muito sobre Biodiversidade em sala de aula. Apesar de o conceito ser amplo e poder ser definido com base em mais de um parâmetro, podemos adotar de forma mais geral a idéia de biodiversidade como medida de riqueza (ou número) de espécies. Com base nisso, nós brasileiros, podemos nos sentir privilegiadíssimos, já que aqui na América do Sul (e mais, especificamente, em território nacional) se encontram dois dos biomas com maior riqueza no globo: a Amazônia e o Cerrado. Gostaria de compartilhar algumas informações sobre a importância e as peculiaridades do nosso Bioma do Cerrado. Boa Leitura.

Profº Cleiber Marques Vieira.

 

INTRODUÇÃO

 

O termo biodiversidade ou biodiversidade biológica refere-se à variedade de vida existente na Terra. Abrange a variedade de espécies de flora, fauna e microorganismos, de funções ecológicas desempenhadas pelos indivíduos e a variedade de comunidades, habitats e ecossistemas formados pelos organismos. Portanto, a biodiversidade refere-se tanto ao número de diferentes categorias biológicas quanto à abundância relativa dessas categorias.

Comunidade é um conjunto de todas as populações de organismos existentes numa determinada área. Por exemplo: a comunidade vegetal do Cerrado.

O termo hábitat refere-se ao lugar ocupado por um organismo ou no qual a espécie é nativa. Esse termo estabelece o local e as condições ambientais para o estabelecimento de um organismo. Por exemplo, o hábitat do lobo guará é o Cerrado.

O termo ecossistema é usado para um conjunto de relações entre as comunidades, que são diferentes populações de indivíduos, e seu meio ambiente.

Bioma é uma comunidade biótica que se caracteriza pela uniformidade fisionômica da flora e da fauna que a formam e se influenciam mutuamente.

O Brasil é considerado como um dos países de maior diversidade biológica por abrigar cerca de 1,5 milhão de espécies, entre vertebrados, invertebrados, plantas e microrganismos que representam aproximadamente 10 % das espécies existentes no planeta. Toda essa riqueza biológica está distribuída nos diferentes ecossistemas florestais, não florestais, aquáticos, montícolas, costeiros e marinhos existentes no País.

O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro. Ocupa uma área de aproximadamente 1,8 milhão de km2, ou seja, cerca de 21 % do território nacional e corta diagonalmente o País no sentido nordeste-sudoeste.

A área central do Cerrado limita-se com quase todos os biomas, à exceção dos Campos Sulinos e os ecossistemas costeiro e marinho. Existem também porções de Cerrado na Amazônia, na Caatinga e na Mata Atlântica (por exemplo, na região de Barbacena, MG). Tais áreas são remanescentes de um processo histórico e dinâmico de contração e expansão das áreas de Cerrado e de florestas, provocado por alterações climáticas ocorridas no passado.

Nesses processos de contração e expansão do bioma, houve grande enriquecimento de espécies no Cerrado a partir de contribuições dos biomas vizinhos, que tornou rica a biodiversidade biológica do Cerrado. Por exemplo, cerca de 82,6% do número estimado de espécies de aves desse bioma são dependentes, em maior ou menor grau, das áreas florestais da Mata Atlântica e da Amazônia. Essas aves provavelmente invadiram o Cerrado pelas porções sudeste e noroeste. Mais de 50% das espécies de mamíferos terrestres não voadores do Cerrado estão associados às Matas de Galeria e estudo mais recente, incluindo morcegos e formas semi-aquáticas e aquáticas, revelaram que esse número pode ser muito maior, chegando a 82% das espécies de mamíferos que mantêm alguma associação com as Matas de Galeria e que correspondem à parte dos ambientes florestais existentes no Cerrado. Existe um mosaico de formações vegetais que variam desde campos abertos até formações densas de florestas que podem atingir os 30 metros de altura.

Entretanto, a dinâmica savana-floresta também ocasionou a perda de espécies como aconteceu na fauna de mamíferos, que era mais diversificada do que a atual. Várias e magníficas espécies pastavam no Cerrado até bem recentemente. Durante o último período glacial, entre 12 e 20 mil anos atrás, mamíferos como Eremotherium laurillardi (um tipo de preguiça-gigante) ou Haplophorus euphractus (um grande tatu) ou ainda Toxodon platensis (um animal assemelhado ao rinoceronte) (Fig. 3), desapareceram no Brasil. Hoje, o maior mamífero encontrado é a anta (Tapirus terrestris) que não é restrita a esse bioma.

Mesmo considerando essa diminuição na diversidade biológica, que provavelmente também afetou outros grupos, a riqueza de espécies no Cerrado ainda é muito expressiva, podendo representar em média 33 % da diversidade biológica do Brasil.


http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Agencia16/AG01/arvore/AG01_2_111200610412.html

 

Escrito por Professor Cleiber às 18h39
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17/02/2010


Continuação

DIVERSIDADE POR GRUPOS NO BIOMA DO CERRADO

 

MAMÍFEROS

Entre os mamíferos, a riqueza desse bioma pode chegar a 199 espécies distribuídas nos seguintes grupos:

  • Didelphiomorpha: grupo que abrange os gambás, cuícas e catitas;
  • Xenarthra: grupo representado pelos tamanduás, pelas preguiças e pelos tatus;
  • Chiroptera: grupo que abriga os morcegos em geral;
  • Primates: grupo onde estão classificados os micos e os macacos;
  • Carnívora: grupo que abrange os gatos, as lontras, os quatis, as raposas os cachorros selvagens e os lobos;
  • Cetácea: grupo representado pelas baleias, pelos botos e pelos golfinhos;
  • Perissodactyla: grupo representado pelas antas;
  • Artiodactyla: grupo representado veados, caititus e queixadas;
  • Rodentia: grupo que abrange os roedores em geral como os ratos, os camundongos, as capivaras, as pacas e as cutias;
  • Lagomorpha: grupo dos coelhos.

O grupo mais diversificado é o dos morcegos, com 81 espécies registradas até o momento.

http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Agencia16/AG01/arvore/AG01_2_111200610412.html

Escrito por Professor Cleiber às 10h52
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Continuação

Diversidade das ordens de mamíferos com ocorrência no Cerrado, número de espécies endêmicas e ameaçadas de extinção

Grupo

Espécies

Endêmicas

Ameaçadas

Didelphiomorpha (marsupiais: gambás)

17

2

 

Xenarthra (tatus, tamanduás e preguiças)

11

 

3

Chiroptera (morcegos)

80

1

3

Primates (macacos, sagüis, micos)

7

 

 

Carnivora (cães selvagens, lobos, gatos selvagens, lontras, etc.)

22

 

10

Cetacea (baleias e golfinhos)

2

 

 

Perissodactyla (antas)

1

 

 

Artiodactyla (porcos selvagens; cervos e veados, etc.)

6

 

1

Rodentia (roedores)

52

16

4

Lagomorpha (lebres e coelhos)

1

 

 

Total

199

19

21

Dados extraídos de várias fontes.

http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Agencia16/AG01/arvore/AG01_2_111200610412.html

Escrito por Professor Cleiber às 10h46
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Continuação

 

 

ENDEMISMO

Uma espécie é endêmica quando é nativa de uma única área geográfica. Se essa espécie estiver ameaçada de extinção, o que já ocorre nos grupos Xenarthera, Chiroptera, Carnivora, Artiodactyla e Rodentia, poderá desaparecer completamente do planeta.

Sob o ponto de vista da conservação, na nova lista das espécies de mamíferos ameaçadas de extinção, constam 21 espécies oficialmente reconhecidas. O nível de endemismo dos mamíferos do Cerrado pode ser considerado baixo, pois somente 9,5 % das espécies são exclusivas da região

No caso das aves, a riqueza estimada para o bioma é de 837 espécies, embora descrições de novas formas ainda estejam acontecendo.O nível de endemismo das aves do Cerrado é baixo, chegando a aproximadamente 4% do total de espécies registradas. Apesar desse nível, o número de espécies de aves que pode ser encontrada em diferentes localidades varia grandemente. Para o grupo, 23 espécies são consideradas como ameaçadas de extinção.

A diversidade dos répteis é igualmente expressiva para o Cerrado e o número de espécies endêmicas é bastante elevado, mas varia de um grupo ao outro. A diversidade de répteis pode chegar a 177 espécies, sendo o grupo das serpentes o mais diversificado. Apenas uma espécie está ameaçada de extinção, o lagartinho-do-cipó.

Grupo

Espécies

Endêmicas

% Endemismo

Plantas

7.000

3.080

44

Mamíferos

199

19

9,5

Aves

837

29

3,4

Anfíbios

150

42

28

Peixes

1.200

350

29

Répteis

177

20

17

Dados extraídos de várias fontes

http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Agencia16/AG01/arvore/AG01_2_111200610412.html

Escrito por Professor Cleiber às 10h40
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30/01/2008


FALANDO SOBRE BIODIVERSIDADE


O uso contínuo do termo biodiversidade, principalmente num sentido mais popular como é apresentado pela mídia não especializada, vem substituindo um significado científico por um termo extremamente flexível que parece poder substituir qualquer coisa quando se fala sobre meio ambiente. É comum observarmos em programas de televisão pessoas utilizando a palavra biodiversidade como um termo "chic" que assume um valor quase esotérico. É como se essa palavra fosse mágica e pudesse resumir qualquer argumentação sobre os seres vivos e a natureza. Na verdade não é bem assim. Para nós biólogos, esse termo tem um valor científico, e até técnico, já que é uma forma muito importante de medir como a natureza está estruturada. Em função disso, gostaria de transcrever para cá um pequeno texto que discute, de maneira muito sucinta, os conceitos e discussões básicas em torno do termo biodiversidade. Profº Cleiber Marques Vieira

BIODIVERSIDADE

Biodiversidade ou diversidade biológica (grego bios, vida) é a diversidade da natureza viva. Desde 1986, o termo e conceito têm adquirido largo uso entre biólogos, ambientalistas, líderes políticos e cidadãos conscientizados no mundo todo. Este uso coincidiu com o aumento da preocupação com a extinção, observado nas últimas décadas do Século XX.
Refere-se à variedade de vida no planeta Terra, incluindo a variedade genética dentro das populações e espécies, a variedade de espécies da flora, da fauna, de fungos macroscópicos e de microrganismos, a variedade de funções ecológicas desempenhadas pelos organismos nos ecossistemas; e a variedade de comunidades, hábitats e ecossistemas formados pelos organismos.
A Biodiversidade refere-se tanto ao número (riqueza) de diferentes categorias biológicas quanto à abundância relativa (equitatividade) dessas categorias. E inclui variabilidade ao nível local (alfa diversidade), complementariedade biológica entre hábitats (beta diversidade) e variabilidade entre paisagens (gama diversidade). Ela inclui, assim, a totalidade dos recursos vivos, ou biológicos, e dos recursos genéticos, e seus componentes.
A espécie humana depende da Biodiversidade para a sua sobrevivência.
O termo diversidade biológica foi criado por Thomas Lovejoy em 1980, ao passo que a palavra Biodiversidade foi usada pela primeira vez pelo entomologista E. O. Wilson em 1986, num relatório apresentado ao primeiro Fórum Americano sobre a diversidade biológica, organizado pelo Conselho Nacional de Pesquisas dos EUA (National Research Council, NRC). A palavra "Biodiversidade" foi sugerida a Wilson pelo pessoal do NRC a fim de substituir diversidade biológica, expressão considerada menos eficaz em termos de comunicação.
Não há uma definição consensual de Biodiversidade. Uma definição é: "medida da diversidade relativa entre organismos presentes em diferentes ecossistemas". Esta definição inclui diversidade dentro da espécie, entre espécies e diversidade comparativa entre ecossistemas.
Outra definição, mais desafiante, é "totalidade dos genes, espécies e ecossistemas de uma região". Esta definição unifica os três níveis tradicionais de diversidade entre seres vivos:
• diversidade genética - diversidade dos genes em uma espécie.
• diversidade de espécies - diversidade entre espécies.
• diversidade de ecossistemas - diversidade em um nível mais alto de organização, incluindo todos os níveis de variação desde o genético.
A diversidade de espécies é a mais fácil de estudar, mas há uma tendência da ciência oficial em reduzir toda a diversidade ao estudo dos genes. Isto leva ao próximo tópico.

ABORDAGENS DA BIODIVERSIDADE


• Para os biólogos geneticistas, a Biodiversidade é a diversidade de genes e organismos. Eles estudam processos como mutação, troca de genes e a dinâmica do genoma, que ocorrem ao nível do DNA e constituem, talvez, a evolução.
• Para os biólogos zoólogos ou botânicos, a Biodiversidade não é só apenas a diversidade de populações de organismos e espécies, mas também a forma como estes organismos funcionam. Organismos surgem e desaparecem. Locais são colonizados por organismos da mesma espécie ou de outra. Algumas espécies desenvolvem organização social ou outras adaptações com vantagem evolutiva. As estratégias de reprodução dos organismos dependem do ambiente.
• Para os ecólogos, a Biodiversidade é também a diversidade de interações duradouras entre espécies. Isto se aplica também ao biótopo, seu ambiente imediato, e à ecorregião em que os organismos vivem. Em cada ecossistema os organismos são parte de um todo, interagem uns com os outros mas também com o ar, a água e o solo que os envolvem.
A cultura humana tem sido determinada pela Biodiversidade, e ao mesmo tempo as comunidades humanas têm dado forma à diversidade da natureza nos níveis genético, das espécies e ecológico.
É fonte primária de recursos para a vida diária, fornecendo comida (colheitas, animais domésticos, recursos florestais e peixes), fibras para roupas, madeira para construções, remédios e energia. Esta "diversidade de colheitas" é também chamada Agrobiodiversidade.
Os ecossistemas também nos fornecem "suportes de produção" (fertilidade do solo, polinizadores, decompositores de resíduos, etc.) e "serviços" como purificação do ar e da água, moderação do clima, controle de inundações, secas e outros desastres ambientais.
Se os recursos naturais são de interesse econômico para a comunidade, sua importância econômica é também crescente. Novos produtos são desenvolvidos graças a biotecnologias, criando novos mercados. Para a sociedade, a biodiversidade é também um campo de trabalho e lucro. É necessário estabelecer um manejo sustentável destes recursos.
Finalmente, o papel da Biodiversidade é "ser um espelho das nossas relações com as outras espécies de seres vivos", uma visão ética dos direitos, deveres, e educação.

BIODIVERSIDADE: TEMPO e ESPAÇO


A Biodiversidade não é estática. É um sistema em constante evolução tanto do ponto de vista das espécies como também de um só organismo. A meia-vida média de uma espécie é de um milhão de anos e 99% das espécies que já viveram na Terra estão hoje extintas.
A Biodiversidade não é distribuída igualmente na Terra. Ela é, sem dúvida, maior nos trópicos. Quanto maior a latitude, menor é o número de espécies, contudo, as populações tendem a ter maiores áreas de ocorrência. Este efeito que envolve disponibilidade energética, mudanças climáticas em regiões de alta latitude é conhecido como efeito Rapoport.
Existem regiões do globo onde há mais espécies que outras. A riqueza de espécies tendem a variar de acordo com a disponibilidade energética, hídrica (clima, altitude) e também pelas suas histórias evolutivas.

O VALOR ECONÔMICO DA BIODIVERSIDADE


Ecólogos e ambientalistas são os primeiros a insistir no aspecto econômico da proteção da diversidade biológica. Deste modo, Edward O. Wilson escreveu em 1992 que a Biodiversidade é uma das maiores riquezas do planeta, e, entretanto, é a menos reconhecida como tal (la biodiversité est l'une des plus grandes richesses de la planète, et pourtant la moins reconnue comme telle).
A maioria das pessoas vêem a biodiversidade como um reservatório de recursos que devem ser utilizados para a produção de produtos alimentícios, farmacêuticos e cosméticos. Este conceito do gerenciamento de recursos biológicos provavelmente explica a maior parte do medo de se perderem estes recursos devido à redução da Biodiversidade. Entretanto, isso é também a origem de novos conflitos envolvendo a negociação da divisão e apropriação dos recursos naturais.
Uma estimativa do valor da Biodiversidade é uma pré-condição necessária para qualquer discussão sobre a distribuição da riqueza da Biodiversidade. Estes valores podem ser divididos entre:
• valor de uso;
o uso direto através do turismo, ou de novas substâncias farmacêuticas ganhas através da biodiversidade, etc.;
o uso indireto, como a polinização de plantas e outros serviços biológicos;
• o não uso, ou valor intrínseco.
Em um trabalho publicado na Nature em 1997, Constanza e colaboradores estimaram o valor dos serviços ecológicos prestados pela natureza. A ideia geral do trabalho era contabilizar quanto custaria por ano para uma pessoa ou mais, por exemplo, polinizar as plantas ou quanto custaria para construir um aparato que serviria como mata ciliar no antiaçoriamento dos rios. O trabalho envolveu vários "serviços" ecológicos e chegou a uma cifra média de US$ 33.000.000.000.000,00 (trinta e três trilhões de dólares) por ano, duas vezes o produto interno bruto mundial.

COMO MEDIR A BIODIVERSIDADE?


Do ponto de vista previamente definido, nenhuma medida objetiva isolada de Biodiversidade é possível, apenas medidas relacionadas com propósitos particulares ou aplicações.
Para os conservacionistas práticos, essa medida deveria quantificar um valor que é, ao mesmo tempo, altamente compartilhado entre as pessoas localmente afetadas.
Para outros, uma definição mais abrangente e mais defensível economicamente, é aquela cujas medidas deveriam permitir a assegurar possibilidades continuadas tanto para a adaptação quanto para o uso futuro pelas pessoas, assegurando uma sustentabilidade ambiental. Como conseqüência, os biólogos argumentaram que essa medida é possivelmente associada à variedade de genes. Uma vez que não se pode dizer sempre quais genes são mais prováveis de serem mais benéficos, a melhor escolha para a conservação é assegurar a persistência do maior número possível de genes.
Para os ecólogos, essa abordagem às vezes é considerada inadequada e muito restritra.

INVENTÁRIO DE ESPÉCIES

A Sistemática mede a Biodiversidade simplesmente pela distinção entre espécies. Pelo menos 1,75 milhões de espécies foram descritas; entretanto, a estimativa do verdadeiro número de espécies existentes varia de 3,6 para mais de 100 milhões. Diz-se que o conhecimento das espécies e das famílias tornou-se insuficiente e deve ser suplementado por uma maior compreensão das funções, interações e comunidades. Além disso, as trocas de genes que ocorrem entre as espécies tendem a adicionar complexidade ao inventário.

A BIODIVERSIDADE ESTÁ AMEAÇADA?

Durante as últimas décadas, uma erosão da Biodiversidade foi observada. A maioria dos Biólogos acredita que uma extinção em massa está a caminho. Apesar de divididos a respeito dos números, muitos cientistas acreditam que a taxa de perda de espécies é maior agora do que em qualquer outra época da história da Terra.
Alguns estudos mostram que cerca de 12,5% das espécies de plantas conhecidas estão sob ameaça de extinção. Todo ano, entre 17.000 e 100.000 espécies são varridas de nosso planeta. Alguns dizem que cerca de 20% de todas as espécies viventes poderiam desaparecer em 30 anos. Quase todos dizem que as perdas são devido às atividades humanas, em particular a destruição dos hábitats de plantas e animais.
Alguns justificam a situação não tanto pelo sobreuso das espécies ou pela degradação do ecossistema quanto pela conversão deles em ecossistemas muito padronizados. (ex.: monocultura seguida de desmatamento). Antes de 1992, outros mostraram que nenhum direito de propriedade ou nenhuma regulamentação de acesso aos recursos necessariamente leva à sua diminuição (os custos de degradação têm que ser apoiados pela comunidade).
Entre os dissidentes, alguns argumentam que não há dados suficientes para apoiar a visão de extinção em massa, e dizem que extrapolações abusivas são responsáveis pela destruição global de florestas tropicais, recifes de corais, mangues e outros hábitats ricos.
A domesticação de animais e plantas em larga escala é um fator histórico de degradação da biodiversidade, gerando a seleção artificial de espécies, onde alguns seres vivos são selecionados e protegidos pelo homem em detrimento de outros.

MANUSEIO DA BIODIVERSIDADE: CONSERVAÇÃO, PRESERVAÇÃO e PROTEÇÃO

A conservação da diversidade biológica tornou-se uma preocupação global. Apesar de não haver consenso quanto ao tamanho e ao significado da extinção atual, muitos consideram a Biodiversidade essencial.
Há basicamente dois tipos principais de opções de conservação, conservação in-situ e conservação ex-situ. A in-situ é geralmente vista como uma estratégia de conservação elementar. Entretanto, sua implementação é às vezes impossível. Por exemplo, a destruição de hábitats de espécies raras ou ameaçadas de extinção às vezes requer um esforço de conservação ex-situ. Além disso, a conservação ex-situ pode dar uma solução reserva para projetos de conservação in-situ. Alguns acham que ambos os tipos de conservação são necessários para assegurar uma preservação apropriada. Um exemplo de um esforço de conservação in-situ é a construção de áreas de proteção. Um exemplo de um esforço de conservação ex-situ, ao contrário, seria a plantação de germoplasma em bancos de sementes. Tais esforços permitem a preservação de grandes populações de plantas com o mínimo de erosão genética.
A ameaça da diversidade biológica estava entre os tópicos mais importantes discutidos na Conferência Mundial da ONU para o Desenvolvimento Sustentável, na esperança de ver a fundação da Global Conservation Trust para ajudar a manter as coleções de plantas.
Veja também: conservação, banco de sementes, IUCN, Global 200.

STATUS JURÍDICO DA BIODIVERSIDADE

A Biodiversidade deve ser avaliada e sua evolução, analisada (através de observações, inventários, conservação...) que devem ser levadas em consideração nas decisões políticas. Está começando a receber uma direção jurídica.
• A relação "Leis e ecossistema" é muito antiga e tem conseqüências na Biodiversidade. Está relacionada aos direitos de propriedade pública e privada. Pode definir a proteção de ecossistemas ameaçados, mas também alguns direitos e deveres (por examplo, direitos de pesca, direitos de caça).
• "Leis e espécies" é um tópico mais recente. Define espécies que devem ser protegidas por causa da ameaça de extinção. Algumas pessoas questionam a aplicação dessas leis.
• "Lei e genes" tem apenas um século. Enquanto a abordagem genética não é nova (domesticação, métodos tradicionais de seleção de plantas), o progresso realizado no campo da genética nos últimos 20 anos leva à obrigação de leis mais rígidas. Com as novas tecnologias da genética e da engenharia genética, as pessoas estão pensando sobre o patenteamento de genes, processos de patenteamento, e um conceito totalmente novo sobre o recurso genético. Um debate muito caloroso, hoje em dia, procura definir se o recurso é o gene, o organismo, o DNA ou os processos.
A convenção de 1972 da UNESCO estabeleceu que os recursos biológicos, tais como plantas, eram uma herança comum da humanidade. Essas regras provavelmente inspiraram a criação de grandes bancos públicos de recursos genéticos, localizados fora dos países-recursos.
Novos acordos globais (Convenção sobre Diversidade Biológica), dá agora direito nacional soberano sobre os recursos biológicos (não propriedade). A idéia de conservação estática da Biodiversidade está desaparecendo e sendo substituída pela idéia de uma conservação dinâmica, através da noção de recurso e inovação.
Os novos acordos estabelecem que os países devem conservar a Biodiversidade, desenvolver recursos para sustentabilidade e partilhar os benefícios resultante de seu uso. Sob essas novas regras, é esperado que o Bioprospecto ou coleção de produtos naturais tem que ser permitido pelo país rico em Biodiversidade, em troca da divisão dos benefícios.
Princípios soberanos podem depender do que é melhor conhecido como Access and Benefit Sharing Agreements (ABAs). O espírito da Convenção sobre Biodiversidade implica num consenso informado prévio entre o país fonte e o coletor, a fim de estabelecer qual recurso será usado e para quê, e para decidir um acordo amigável sobre a divisão de benefícios. O Bioprospecto pode vir a se tornar um tipo de Biopirataria quando esses princípios não são respeitados.

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Biodiversidade

Escrito por Professor Cleiber às 18h32
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28/05/2007


SONS EMITIDOS POR ANUROS

http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/3922

Classificação:

Os sons, ou vacalizações, emitidos pelos anfíbios anuros estão, geralmente, associados com diferentes atividades ecológicas, tais como acasalamento e advertência. Esse link apresenta uma breve descrição do trabalho de catalogação dessas vocalizações ("cantos") para as principais espécies de anuros da mata atlântica, feito pelo Profº Célio Haddad (UNESP). Eu recomendo.

Categoria: Link
Escrito por Professor Cleiber às 17h12
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20/05/2007


JARARACA ILHOA: EXEMPLO DE ESPECIAÇÃO ALOPÁTRICA

FONTE FOTO: http://www.sueza.com.br/vidaselvagem/animaisdeaz/repteis/jararaca-ilhoa.html


A Ilha da Queimada Grande é coberta por vegetação típica de Mata Atlântica e cercada por costões de pedra, é aparentemente igual a inúmeras ilhas do litoral brasileiro. Um nicho ecológico singular, no entanto, faz da área de 430 mil metros quadrados objeto de um minucioso estudo científico.

A pouco mais de 30 quilômetros de Itanhaém, no litoral sul de São Paulo, Queimada Grande é o único lugar do mundo onde é encontrada a cobra Bothrops insularis, conhecida como jararaca-ilhoa. Por existir apenas nessa ilha, ela foi enquadrada na categoria "criticamente em risco de extinção" na última edição do Red Data Book, o Livro Vermelho da União Internacional para a Conservação da Natureza.

É a única serpente brasileira nesse grupo. Na verdade, não há evidências de que o número desses animais esteja diminuindo. Uma das peculiaridades da ilha é a alta densidade (número de serpentes por metro quadrado) da Bothrops insularis. Para ter uma idéia, quando os biólogos saem a campo na região da Juréia, também em São Paulo, levam em média 12 horas para localizar uma cobra entre as mais de 30 espécies existentes na região

Na Queimada Grande, em apenas um dia, os pesquisadores avistam cerca de 50 jararacas-ilhoas. "Mas o simples fato de ela ocorrer em uma única ilha do mundo inteiro já é suficiente para considerá-la criticamente ameaçada", explica o biólogo Marcio Martins, da Universidade de São Paulo (USP). "Um incêndio de grandes proporções na Queimada Grande, por exemplo, poderia levar à diminuição drástica da população e, conseqüentemente, à sua extinção".

Preocupados com o risco de desaparecimento da serpente, pesquisadores do Instituto Butantã, da USP e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estudam, há quase cinco anos, a jararaca-ilhoa e seu ambiente.

Diferente da jararaca do continente, que chega a 1,60 metro de comprimento, a ilhoa adulta é menor. Mas seu veneno é cinco vezes mais letal para aves e três vezes mais potente para mamíferos.
FOTO: Marcos Buononato
"Embora não haja registros bem documentados de picadas em humanos, pelos resultados obtidos em laboratório achamos que uma picada dessa espécie pode ser bem mais grave que a da jararaca do continente", diz Otavio Marques, do Butantã. Por isso, sempre que uma equipe de pesquisadores viaja até a ilha, há um médico no grupo.

"O risco de ser picado por uma ilhoa é enorme: elas estão por toda parte", comenta Marques. Por trás do superveneno da serpente está a necessidade de a jararaca-ilhoa imobilizar imediatamente suas presas. Como não há ratos na ilha (comida habitual das serpentes do continente), as aves migratórias são sua principal fonte de alimentação.

Enquanto a jararaca comum envenena a presa com uma picada e a segue pelo cheiro até encontrá-la morta, o veneno da ilhoa precisa ter ação instantânea ou a serpente pode ver sua refeição bater asas - literalmente. Em razão dessa dieta peculiar, reforçada eventualmente por lagartos, centopéias e rãs, a jararaca-ilhoa desenvolveu a capacidade de explorar árvores. "Algumas são encontradas entre os galhos, em alturas de até 5 metros, à espreita de passarinhos", afirma o pesquisador Marcelo Duarte, do Butantã.

Outra singularidade da jararaca-ilhoa é a alta incidência de animais intersexuais. A maioria das fêmeas apresenta órgãos sexuais masculinos, os hemipênis, menores que os dos machos, aparentemente sem nenhuma função reprodutiva.

Obter mais informações sobre as serpentes não é apenas uma curiosidade, como se pode supor a princípio. O veneno desses répteis tem-se revelado uma fonte inesgotável de remédios desde que, ainda na década de 60, se descobriu na jararaca uma proteína que pode ser usada contra a hipertensão. No mundo inteiro, atualmente, há pesquisadores vasculhando as glândulas desses animais na esperança de chegar a novos produtos farmacêuticos. "Por possuir características únicas, a Bothrops insularis pode nos fornecer mais informações importantes do que seus parentes do continente para futuras aplicações na biologia e na medicina", explica Marcio Martins.

Os cientistas brasileiros começaram a estudar a ilhoa em 1993, mas o trabalho só tomou impulso recentemente, depois de receber recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e da Fundação Boticário de Preservação à Natureza. Além da ameaça de extinção que paira sobre a espécie, os pesquisadores temem o comércio ilegal.

Nas expedições, foram encontrados indícios de tráfico de serpentes, muito disputadas no mercado internacional tanto para criação em cativeiro quanto para estudos sobre o veneno. "Um grama do veneno seco da jararaca da Amazônia valia até há pouco tempo US$ 2 mil. Imagine quanto não está valendo o da ilhoa?", comenta Martins. Mas, se o veneno desperta o interesse e a ambição de alguns, ele também inspira medo. A Ilha das
Cobras, como é conhecida na região, não possui um único habitante, e são poucos os pescadores que se atrevem a aportar ali. Por enquanto, a jararaca-ilhoa, protegida por seu potente veneno, é a única dona do pedaço.

Gerson Faria (colaborou: Frances Jones)

Contagem moderna
Não se sabe ao certo quantas jararacas-ilhoas existem em Queimada Grande embora as estimativas indiquem o número de 5 mil serpentes. Os pesquisadores estão refazendo as contas usando métodos mais modernos de contagem. Em vez do tradicional corte de escamas, foram injetadas mini-cápsulas eletrônicas sob a pele dos répteis. O trabalho é grande e deve durar pelo menos quatro anos. Até agora, mais de 100 ilhoas já portam as mini-cápsulas.

FONTE: http://www.mongue.org.br/queimadas1.htm

DICA DO PROFº CLEIBER: Na edição de setembro 2002,da revista ciência hoje (acessível on-line: www.cienciahoje.com.br, nos arquivos), foi publicado um artigo entitulado "A jararaca da ilha de Queimada Grande". Lá você vai encontrar uma boa revisão sobre a biologia da espécie Bothrops insularis e uma discussão sobre o processo de especiação alopátrica que, provavelmente, explica suas peculiaridades. Eu recomendo.

Escrito por Professor Cleiber às 11h20
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24/04/2007


BALA PERDIDA

Colunista discute o risco de asteróides se chocarem com a Terra



Asteróides e cometas sempre atraíram a atenção de astrônomos, profissionais e amadores, não só por sua beleza intrínseca, mas também pelo risco potencial – ou real – que representam para nós, terráqueos. Choques contra a Terra de asteróides de todos os tamanhos não são novidade. Colisões passadas deixaram marcas que não só permitiram a reconstrução cronológica dos eventos, com as devidas implicações na história de nossa biosfera, como também deram origem a uma especialidade da astrofísica dedicada a estudar o comportamento desses pedregulhos desgarrados.

O alto interesse e investimento na pesquisa sobre asteróides e cometas ficou bem demonstrado no dia 4 de julho último, com o tiro certeiro disparado pelos cientistas da Nasa, a agência espacial norte-americana, contra o cometa Tempel 1, para investigar a composição de suas camadas mais profundas. Outro feito digno de registro foi o pouso suave da espaçonave Near, em fevereiro de 2001, no asteróide Eros 433, uma grande pedra de cerca de 30 km de comprimento. Antes da ‘aterrissagem’, a Near obteve imagens impressionantes do asteróide, a apenas 300 km de distância, que revelaram ao mundo o movimento de rotação da ‘banana gorda’, como os cientistas o apelidaram.

Não podemos esquecer a observação minuciosa da colisão dos 20 fragmentos do cometa Shoemaker-Levy contra Júpiter, em 1994. As imagens mostraram choques cataclísmicos seqüenciais contra o planeta gigante. Os efeitos desses choques foram surpreendentes, principalmente porque se previa que os fragmentos do cometa, de massa infinitesimal se comparada à de Júpiter, dificilmente seriam observados por nós. Se a Terra tivesse sido o alvo, o Shoemaker-Levy teria certamente provocado a extinção da vida, pelo menos na superfície. Em tempo: o enorme campo gravitacional de Júpiter atua como um verdadeiro escudo protetor para a Terra.

De onde vêm os asteróides mais próximos? Do cinturão de Kuiper, região situada depois de Plutão e assim chamada em homenagem ao astrônomo holandês Gerard Kuiper (1905-1973). Entre aqueles asteróides situados entre Marte e Júpiter no cinturão de Kuiper, calcula-se que existam aí pelo menos um bilhão, dos quais apenas cerca de 30 mil já estão classificados e incluídos em uma lista para monitoração constante.

Um número tão grande torna praticamente impossível calcular que forças empurrarão um deles em nossa direção. E quando. Apesar disso, algumas providências foram tomadas, como a elaboração, em um congresso na Itália, em 1999, da ‘escala de Turim’, que calcula a probabilidade de colisão de objetos com a Terra, levando em conta massa, velocidade, ângulo de entrada e outros fatores. Essa escala deveria funcionar como uma espécie de alerta.

Seguindo a mesma linha de pensamento, o Laboratório de Propulsão a Jato, da Nasa, criou um sistema automatizado de sentinela espacial. Seria o caso de supor que, com todo o acervo tecnológico disponível, além de uma vigilância constante feita por um dedicado grupo de cientistas e amadores, a ausência de notícias significaria que nada de ruim está por acontecer. “No news is good news.” Infelizmente, isso está longe da verdade.

Dois asteróides, um em 1991 e outro em 1993, passaram ‘raspando’ pela Terra e só foram notados depois disso. Acredita-se que tais eventos ocorram mais ou menos duas vezes por ano. O problema é que objetos com centenas de metros e que poderiam destruir áreas imensas não conseguem ser detectados por nenhum telescópio situado na Terra, a menos que estejam a poucos dias de distância.

Na prática, se um asteróide do tamanho de uma montanha se aproximasse da Terra com uma velocidade de 50 mil a 100 mil km/h, teríamos mais ou menos 48 horas de aviso, o que, convenhamos, mal dá para acertarmos nossas dívidas. De qualquer modo, teremos uma prova em breve. O asteróide 2004 MN4 vai passar a apenas 30 mil km da Terra em abril de 2029, o que em termos astronômicos equivale a um tiro de raspão. Nesse caso, o que representaria um minúsculo erro de cálculo? A diferença entre um belíssimo espetáculo e a resposta coletiva para a maior e mais antiga de nossas perguntas.


Franklin Rumjanek
Instituto de Bioquímica Médica,
Universidade Federal do Rio de Janeiro.
(http://cienciahoje.uol.com.br/4144)

Escrito por Professor Cleiber às 00h04
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MAIS PRECISÃO NA DATAÇÃO GEOLÓGICA


MAIS PRECISÃO NA DATAÇÃO GEOLÓGICA
Artigo apresenta novo método para definir idade de rochas baseado em isótopos de platina



Um modelo desenvolvido por pesquisadores brasileiros e italianos deve trazer mais precisão para um recente e promissor método de datação geológica baseado na radiação emitida por certos núcleos do elemento químico platina. Os resultados deverão levar a desdobramentos importantes na determinação das idades de materiais como rochas, minerais e meteoritos. O artigo será publicado em Nuclear Instruments and Methods in Physics Research B.
A determinação da idade de materiais geológicos, como rochas e minerais, bem como daqueles provenientes do sistema solar – por exemplo, meteoritos e rochas lunares trazidos pelas missões do projeto Apollo – é baseada no decaimento de isótopos radioativos de diversos elementos químicos.

Os isótopos radioativos são caracterizados por terem núcleos com um excesso de energia que os torna instáveis. Para atingir a estabilidade, esses núcleos desprezam essa energia extra, emitindo radiação eletromagnética (raios gama) ou partículas do tipo alfa (núcleos do elemento químico hélio, ou seja, dois prótons mais dois nêutrons) e beta (elétrons energéticos).

O fenômeno pelo qual o núcleo se livra do excesso de energia é denominado decaimento radioativo. Ao decair, com a emissão de partículas, um núcleo sofre modificação em seu número de massa (soma dos prótons e nêutrons) e/ou número atômico (soma dos prótons), transformando-se no núcleo de outro elemento químico.

A liberação de energia, no entanto, não ocorre de forma desordenada. Cada núcleo radioativo de um mesmo tipo tem uma probabilidade bem definida de emitir radiação em um intervalo de tempo finito. Essa probabilidade de decaimento pode ser expressa de várias formas. Uma delas é a chamada meia-vida do isótopo radioativo.

A meia-vida corresponde ao tempo necessário para que um conjunto contendo inicialmente No núcleos radioativos de um mesmo tipo tenha sua população reduzida à metade. As meias-vidas dos diferentes isótopos radioativos naturais e artificiais variam por diversas ordens de grandeza. O isótopo do carbono com número de massa 14 (14C) tem, por exemplo, uma meia-vida de 5,7 mil anos, enquanto o isótopo de potássio com número de massa 40 (40K) tem uma meia-vida de 1,275 bilhão de anos.

Os isótopos radioativos naturais estão presentes nas rochas e nos minerais em quantidades normalmente muito pequenas e que variam ao longo do tempo à medida que ocorre o decaimento radioativo. Os métodos de determinação de idade fundamentados na radioatividade (ou métodos radiométricos de datação) se baseiam na observação dos efeitos da radioatividade.

Alguns desses métodos medem o número de partículas emitidas por unidade de tempo por um elemento radioativo, como o método de datação do 14C. Outros medem a variação do número de isótopos radioativos e do número dos novos núcleos produzidos pelo seu decaimento ao longo da história do mineral ou da rocha. Um exemplo deste último é o método de datação potássio-argônio (K-Ar). Parte do potássio radioativo (40K) decai, produzindo um núcleo de argônio com número de massa 40. Medindo as quantidades de potássio e de argônio contidos em uma amostra e conhecendo a meia-vida do 40K, é possível determinar a idade do material.

Os diferentes métodos de datação radiométrica podem ser imaginados como relógios usados para marcar o tempo geológico. O pêndulo desse relógio é a meia-vida do isótopo no qual o método se baseia. Se o período do pêndulo é bem conhecido, o passar do tempo é medido com precisão por um relógio. Da mesma forma, se a meia-vida do isótopo é bem conhecida, a idade de uma amostra pode ser determinada com precisão.

Recentemente, foi proposto um novo método de datação baseado no decaimento radioativo do isótopo da platina com número de massa 190 (190Pt). Esse isótopo emite uma partícula alfa e se transforma no isótopo do ósmio com número de massa 186. As propriedades químicas da platina e do ósmio permitem considerar o novo método como muito promissor para estudos geocronológicos e geoquímicos realizados em minerais ricos em sulfetos e em alguns tipos de meteoritos.

A aplicação do método encontra, no entanto, uma dificuldade fundamental. A meia-vida da 190Pt não é conhecida com precisão. Diferentes métodos foram usados para determinar essa meia-vida, mas os resultados obtidos até o momento variam entre 240 bilhões e 1 trilhão de anos. O valor adotado atualmente é de 650 bilhões de anos. Meias-vidas assim longas são difíceis de medir, uma vez que o número de decaimentos radioativos que esse isótopo sofre em qualquer intervalo de tempo de observação em laboratório é muito pequeno.

Pesquisadores do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro (RJ), associados a colegas da Universidade de Roma, vêm contribuindo para a obtenção de um valor mais preciso para a meia-vida da 190Pt. Uma de suas contribuições consiste em uma equação obtida teoricamente para predizer o valor da meia-vida de um isótopo. Um dos parâmetros dessa equação não pode ter seu valor determinado pela teoria que deu origem à equação e deve ser estabelecido a partir de dados experimentais. Por essa razão, o modelo é chamado de semi-empírico.

Os autores – os pesquisadores brasileiros Odilon Tavares e Emil Medeiros, do CBPF, e a italiana Maria Letizia Terranova, da Universidade de Roma – usaram valores de meia-vida de outros 18 isótopos da platina, que podem ser descritos pela equação e cuja meia-vida é bem conhecida. Com o parâmetro semi-empírico determinado, a meia-vida da 190Pt foi calculada em (3,7 ± 0,3) x 1011 anos, ou seja, 370 bilhões de anos, com um desvio de 30 bilhões de anos para mais ou para menos.

Esse valor é comparável com o valor experimental de 320 bilhões de anos – ou seja, (3,2 ± 0,1) x 1011 – obtido pelos mesmos autores há alguns anos. O resultado é uma contribuição importante para a solução do difícil problema de estabelecer a meia-vida da 190Pt com a precisão necessária para estudos geocronológicos e geoquímicos.


Fernando Brenha Ribeiro
Departamento de Geofísica,
Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas,
Universidade de São Paulo
(http://cienciahoje.uol.com.br/4093)

Escrito por Professor Cleiber às 23h58
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A Ciência Precisa Combater a Pseudo-Ciência: Uma Declaração de 32 Cientistas e Filósofos Russos

Esse artigo reforça aquilo que foi discutido no meu ensaio abaixo " Temos Real Necessidade de Pensar Cientificamente, Também?" . Nunca estivemos tão cercados pelos produtos da ciência, seja de maneira direta ou indireta, e simultaneamente, nunca estivemos tão expostos ao espírito pseudo-científico. Muito direto e objetivo, eu recomendo. Profº Cleiber Marques Vieira.

Os representantes de muitas ciências e disciplinas -- astrônomos, físicos, químicos, biólogos, filósofos, advogados, psicólogos -- estão preocupados pelo crescente disseminação da astrologia, medicina alternativa, quiromancia, numerologia e pseudo-ciências místicas na Rússia e outros países do mundo. Desejamos atrair a atenção do público à ameaça de uma atitude não crítica em relação às profecias e conselhos dos "praticantes modernos das ciências ocultas", professadas tanto em particular como na mídia. Aqueles que acreditam na dependência do destino humano em corpos celestes, substâncias mágicas ou feitiçaria precisam entender que a ciência não pode de maneira alguma oferecer apoio a estas crenças.
Em tempos passados as pessoas acreditavam e utilizavam astrologia, alquimia, cabala mística e medicina popular alternativa. Estas idéias eram uma parte substancial da visão mitológica e mágica do mundo proporcionando um weltanschaaung e propósito cognitivo pré-científico, a ciência estava dando seus primeiros passos. As pessoas acreditavam que os corpos celestes eram as manifestações das forças dos deuses que podiam magicamente influenciar objetos terrestres. Processos físicos pareciam ser o produto de enigmáticas "propriedades ocultas", e elementos químicos pareciam ser o produto de magia. As pessoas não tinham nenhum entendimento da natureza das interações químicas e físicas. Hoje, quando a ciência compreende as causas principais pelas quais corpos celestes influenciam fenômenos na Terra, não há nenhuma razão baseada na ciência para alegar que estas interações ocultas possam influenciar o destino dos humanos.
As estruturas psicofisiológicas de uma pessoa não são determinadas pela posição das estrelas e dos planetas no hora e no local do nascimento, mas pelo código genético herdado e por fatores sócio-culturais. A astrologia misticamente interpreta que as variações do campo geomagnético e a atividade solar tem um efeito sobre o bem estar humano. Explosões da cromosfera solar e tempestades magnéticas na verdade tem algum efeito sobre a psique humana e sobre o comportamento humano, mas a astrologia e a medicina charlatã não proporcionam uma compreensão deste fenômeno.
Organismo vivos manifestam uma radiação eletromagnética fraca, mas não há nenhuma evidência científica conhecida para alegar a existência de "biocampos" ou "energia psíquica." O calendário astrológico não corresponde a realidade física atual, mas somente oferece descrições metafóricas arcaicas de eventos astronômicos. Crenças supersticiosas e aceitação não crítica de coincidências como causas minam a confiança na capacidade dos seres humanos para encararem realisticamente os eventos da vida. Astrólogos, parapsicólogos e videntes sustentam alegações não comprovadas baseadas em pseudo-ciência; organizam academias e concedem títulos.
Muitas pessoas acreditam em clarividência, astrologia e outras superstições para compensar desconfortos psicológicos de nosso tempo. Outros buscam o conselho de autoridades de fora na tomada de decisões importantes. Problemas pessoais e sociais, com os quais não se pode enfrentar, são dirigidos a bruxas, feiticeiros e terapeutas charlatões. A crença nas forças astrais oferecem uma oportunidade para se esquivar da responsabilidade pela escolha e desobriga as pessoas de aceitarem seus próprios erros.
No tempo de disseminação bastante difundida da educação científica e grandes avanços da ciência, não podemos mais supor que as superstições desaparecerão por sua própria conta. Pelo contrário, a sociedade é agora inundada pelas "ciências ocultas." Os propagadores da pseudo-ciência e "conhecimentos enigmáticos" tentam se acobertar sob o manto, termos e métodos da ciência genuína. Astrologia, por exemplo, tenta influenciar decisões políticas e econômicas, descaradamente se intrometer nas vidas particulares das pessoas. Muito disto é encorajado pelos meios de comunicação, jogando com e explorando as falibilidades humanas.
A pseudo-ciência mística é uma praga internacional que tem acometido muitos países do mundo. Isto foi sugerido por uma declaração pública de 1975 criticando a astrologia feita por 186 dos principais cientistas (incluindo dezoito vencedores do Prêmio Nobel), que foi intensamente aclamada por todo o mundo.
Esta é a hora da comunidade dos cientistas russos confrontarem estes assuntos com todos seu poder.
Uma das grandes conquistas inquestionáveis dos anos recentes é a oportunidade das pessoas de expressarem suas opiniões abertamente. Infelizmente, muitas pessoas são apanhadas pelo poder persuasivo do absurdo e das superstições perigosas; elas não devem ser consideradas pelos seus trajes pseudo-científicos. Nenhuma tentativa de fazer pensamentos mágicos cientificamente respeitáveis pode possivelmente ocultar suas completa incompatibilidade com a ciência.

Assinado por:
Vice- presidentes e membros do Conselho
da Academia Russa de Ciências (ARC)
• V. Kudryavtsev (vice- presidente, ARC)
• O. Nefedov (vice-presidente, ARC)
• R. Petrov (vice-presidente, ARC)
• B. Topornin (secretário, Departamento de Filosofia, Sociologia, Psicologia e Direito, ARC)
Diretores de institutos de pesquisa
• A. Boyarchuk, Instituto de Astronomia, membro da ARC
• A. Brushlinskii, membro correspondente da ARC, Instituto de Psicologia
• A. Cherepashchuk, membro correspondente da ARC, Instituto Estatal de Sternberg para Astronomia, Universidade Estatal de Moscou
• V. Skulachev, membro da ARC, Instituto de Biofísica e Bioquímica, Universidade Estatal de Moscou
• V. Stepin, membro do ARC, Instituto de Filosofia
Membros da Academia Russa de Ciências
• I. Atabekov (biologia)
• A. Bogdanov (biologia)
• G. Dobrovolskii (biologia)
• E. Feinberg (física)
• V. Ginzburg (física)
• D. Gvishiani (estudos de sistemas)
• N. Kardashev (astronomia espacial)
• V. Laptev (direito)
• T. Oizerman (filosofia)
• M. Ostrovskii (biologia)
Membros correspondentes da Academia Russa de Ciências
• N. Bikkenin (filosofia)
• E. Chekharin (direito)
• V. Chkhikvadze (direito)
• A. Guseinov (filosofia)
• N. Lapin (filosofia)
• V. Lektorskii (filosofia)
• L. Mitrokhin (filosofia)
• V. Nersesyantz (direito)
Doutores em Ciência:
• Yu. Efremov (astronomia)
• I. Kasavin (filosofia)
• A. Ogurtsov (filosofia)
• B. Pruzhinin (filosofia)
• M. Rozov (filosofia)
____________________________
Esta declaração foi publicada na Izvestiya em 17 de julho de 1998, e republicada na edição de janeiro/fevereiro 1999 da Skeptical Inquirer.

Escrito por Professor Cleiber às 23h41
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FÓSSIL CHINÊS ELUCIDA EVOLUÇÃO DO OUVIDO

Um dos desafios permanentes do estudo de evolução orgânica, consiste em conseguir demonstrar estágios intermediários que expliquem como é que estruturas bem adaptadas atualmente podem ter sido selecionadas no passado a partir de estruturas adaptadas para situações e, às vezes, até mesmo para outras funções diferentes (exaptação). Esse pequeno artigo tenta discutir uma das contribuições recentes que reforçam os padrões básicos de evolução darwiniana. Profº Cleiber Marques Vieira.


RICARDO BONALUME NETO
da Folha de S.Paulo

Um fóssil que pode ser considerado o "elo perdido" da audição foi descoberto na China. O recém-batizado yanoconodonte, (Yanoconodon allini), tem os ossos do ouvido numa posição intermediária entre os de répteis e mamíferos modernos.

O ouvido se divide em três partes: externo, que capta os sons; médio, que transforma a onda sonora em vibrações, através de pequenos ossos; e interno, onde o som é transformado em impulsos elétricos para envio ao cérebro.

Os mamíferos são os únicos animais que têm três pequenos ossos interligados no ouvido médio, chamados martelo, bigorna e estribo. Esses ossos evoluíram a partir da mandíbula dos répteis, mas havia poucas evidências dessa transição no registro fóssil.

"O yanoconodonte tem implicações significativas para a origem do ouvido médio, uma característica anatômica que distingue os mamíferos de todos os outros vertebrados", disse à Folha o líder da pesquisa Zhe-Xi Luo, do Museu Carnegie de Pittsburgh, nos EUA.

Função vital

Segundo Luo, o surgimento do ouvido médio foi o que deu aos mamíferos sua audição aguçada, fundamental para a sobrevivência do grupo em meio a dinossauros. Há mais de 65 milhões de anos atrás, os mamíferos eram provavelmente todos notívagos e precisavam ouvir bem para sobreviver.

O fóssil, de 125 milhões de anos, era de um bicho de 15 cm e 30 g de peso. Ele está descrito hoje na revista "Nature".

Criacionismo

Religiosos que criticam a teoria da evolução dizem que formas transicionais não têm função prática e defendem a hipótese do "design inteligente", segundo a qual estruturas complexas, como animais, só podem ter ser criadas por uma inteligência divina.

"Isso é rejeitado por cada nova descoberta de fóssil que revela uma condição evolutiva precursora de uma adaptação biológica moderna, como a estrutura transicional do yanoconodonte em relação ao ouvido médio do mamífero moderno."

Mesmo integrados à mandíbula em animais "pré-mamíferos", os ossinhos tinham função. Seriam eficientes em detectar vibração do solo e sons graves, segundo Luo. Já o ouvido médio totalmente separado da mandíbula é mais sensível a sons trazidos pelo ar, especialmente os mais agudos.

"É concebível que a estrutura intermediária do yanoconodonte fosse capaz de ambos. Ela não teria perdido sua utilidade em detectar som de baixa freqüência através da mandíbula em contato com o solo, mas teria ganho também uma melhor capacidade de ouvir o som vindo pelo ar", afirma Luo.(http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u16119.shtml)

Escrito por Professor Cleiber às 23h29
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11/04/2007


ESCOLA É LUGAR DE CIÊNCIA

Muitos teóricos discutem se nós da área científica não pecamos mais pela omissão do que pelo excesso no que diz respeito à divulgação, para a sociedade, de tópicos que já parecem muito óbvios no meio acadêmico. Esse parece o caso dos assuntos que envolvem a teoria de evolução orgânica. A factualidade dos mecanismos evolutivos é tão óbvia que, às vezes, nos parece redundante ter que defendê-los como se fosse pela primeira vez. Infelizmente, uma "onda" de modismos pseudocientíficos tem trazido à tona velhas discussões ultrapassadas, por exemplo, a validade do ensino nas escolas de nível fundamental e médio de mitologias, cosmogonias (tais como o criacionismo cristão) e/ou quaisquer outras formas alternativas ao conhecimento científico. Muita gente boa tem discutido, recentemente, esses assuntos e tem defendido um ponto de vista mais coerente. Esse artigo é um exemplo bem legal disso, eu recomendo (http://www.unb.br/acs/bcopauta/educacao7.htm). Professor Cleiber.


Professora de Biologia da UnB critica o ensino do criacionismo
nos colégios de nível fundamental e médio


De onde viemos? A pergunta que alimenta a investigação e o debate suscita respostas em diversas áreas, incluindo a religião e a ciência. Para a religião, especificamente no caso dos cristãos, a Bíblia exerce papel determinante. Para os mais radicais, a Gênese contém a verdade ao apresentar a origem da Terra e dos seres vivos em seis dias e a dos homens e mulheres a partir do barro (Adão) e de uma costela (Eva). Eis, em poucas palavras, a idéia do criacionismo. Já para a ciência – que lança mão de práticas como observação, experimentação, contraprova, avaliação de modelos ou testes em laboratórios – a origem do universo e da vida ganha outras explicações, como as teorias do Big Bang e da Evolução, aceitas pela quase totalidade dos estudiosos do mundo. Para a professora do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília (UnB) Rosana Tidon, o criacionismo não pode receber o mesmo valor dado às teorias científicas. Isso precisa ficar claro, principalmente, no ensino de ciências das escolas.
O alerta surge por conta da polêmica instaurada no Rio de Janeiro desde abril de 2004. Quinhentos professores (342 católicos, 132 evengélicos e 26 de outras religiões) foram contratados para ministrar aulas de religião em Campos, no norte fluminense, terra da governadora. A “ciência da criação”, como alguns chamam o criacionismo, será incluída no currículo escolar. A própria governadora, a evangélica Rosinha Matheus, afirmou, em entrevista ao jornal O Globo em abril, ser adepta do criacionismo.
A questão perturba os cientistas pelo fato de que quem acredita no criacionismo confere o mesmo peso a sua crença que o dado aos estudos científicos que se debruçam sobre a origem da humanidade. Muitos também utilizam o argumento de que a Teoria da Evolução está em decadência.
A professora Rosana Tidon – que passou 10 meses em 2003 estudando os argumentos dos criacionistas e a biologia evolutiva em seu pós-doutorado no Museu de História Natural da Universidade de Harvard (Estados Unidos) – refuta a alegação de que os conceitos de evolução estão sendo derrubados. “Não existe nenhuma evidência científica de que a teoria da evolução esteja em descrédito”, afirma a professora de Biologia Evolutiva na UnB.
ORIGEM DAS ESPÉCIES – A Teoria da Evolução – preconizada pelo naturalista britânico Charles Darwin no século XIX – sustenta que as espécies procedem umas das outras e que o principal mecanismo responsável pelas mudanças evolutivas é a seleção natural. Como explica a professora Rosana, essa teoria não está em questionamento. “Ainda não conhecemos todas as relações de parentesco entre os seres vivos, mas trata-se apenas de encaixar as últimas peças de um quebra-cabeças onde a imagem principal já está clara”, diz.
A professora também esclarece que há equívocos no entendimento da evolução. Para os leigos, a primeira idéia que vem à mente é a da escala de evolução do homem, com imagens começando dos macacos até o Homo sapiens. Essa representação é errada, por passar um conceito de progresso e, conseqüentemente, de seres “inferiores” e “superiores”. Não se trata disso. Na realidade, tanto os homens quanto os macacos existentes hoje são descendentes de ancestrais comuns que viveram no passado, portanto nenhum é “melhor” que o outro. E isso vale para a totalidade de seres vivos do planeta.
O que preocupa Rosana Tidon é uma possível confusão na cabeça dos alunos que estudarem o criacionismo nas escolas. “Na escola, deve-se ensinar ciência, não dogmas de fé”, defende. “E o criacionismo tem seus alicerces na religião, na interpretação literal das escrituras, não na observação científica”. Segundo ela, é perfeitamente possível crer em Deus e aceitar a teoria da evolução das espécies, ou seja, conciliar a ciência com a fé.
PREPARO MELHOR – Em março de 2004, a pesquisadora publicou, no periódico científico Genetics and Molecular Biology estudo sobre as dificuldades que professores da rede de ensino básico do Distrito Federal têm ao ensinar a Biologia Evolutiva para seus alunos. Muitos acabam passando visões enviesadas, perpetuando conceitos errados. “Os próprios professores ainda têm muito arraigada a idéia de progresso e não a de adaptação”, examina ela.
Setenta e um professores de Biologia responderam, no ano de 1997, a um questionário elaborado pelos pesquisadores da UnB. Embora todos tivessem graduação completa, apenas 82% haviam estudado Biologia Evolutiva no curso superior. Do total, 60% dos docentes admitiram algum tipo de dificuldade para ensinar o conceito de evolução aos estudantes do ensino médio. A maioria citou falta de preparação, falta de materiais didáticos e falta de tempo para a matéria no currículo. E 62% dos professores falaram que os alunos eram imaturos e não tinham base teórica suficiente para entender bem a questão.
A professora faz algumas sugestões para mudar esse quadro:
• treinamento continuado dos professores
• revisão e reforço do currículo de Ciências
• continuidade do programa do Ministério da Educação que analisa o conteúdo dos livros didáticos para corrigir erros e interpretações ultrapassadas.
CONTATO
Professora Rosana Tidon pelo telefone (61) 3307 2033 e pelo e-mail rotidon@unb.br.

Escrito por Professor Cleiber às 21h56
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15/03/2007


Mudanças climáticas põem em risco simbiose que sustenta recifes de coral

http://http://www2.uol.com.br/sciam/conteudo/materia/materia_44.html

Um dos prováveis efeitos do aquecimento global sobre os ecossistemas da Terra tem sido, recentemente, observado em alguns ambientes marinhos. Aparentemente, a variação térmica das águas oceânicas tem provocado alterações nas cadeias de relações ecológicas marinhas que podem resultar em redução e/ou extinção de espécies. A Scientific American Brasil apresenta nesse link um interessante artigo que faz um apanhado sobre o assunto. Eu recomendo. Profº Cleiber.

Categoria: Link
Escrito por Professor Cleiber às 22h58
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10/02/2007


TEMOS REAL NECESSIDADE DE PENSAR CIENTIFICAMENTE, TAMBÉM?

Durante o meu doutoramento, houve momentos de férteis discussões (principalmente, com pessoas de áreas "menos científicas") sobre a maior ou menor importância, para o homem moderno, de uma abordagem racional dos fatos da natureza. Esse pequeno texto constitui um esboço (escrito durante esse período) de parte das minhas opiniões pessoais a esse respeito. Sendo, apenas um ponto de partida para reflexões que, se discutidas de forma menos leviana ou vulgar, necessitariam de muito mais espaço e profundidade. Assim, são antigas idéias com "novas roupagens" que parecem interessantes de serem compartilhadas. PROFESSOR CLEIBER MARQUES VIEIRA.

TEMOS REAL NECESSIDADE DE PENSAR CIENTIFICAMENTE, TAMBÉM?

A resposta a essa indagação poderia ser dada no final da discussão que será feita a seguir, entretanto, para evitarmos qualquer suspense não intencional: parece que SIM! Nós deveríamos gastar mais tempo na aquisição de conhecimentos produzidos pela análise racional dos processos e fatos reais que nos rodeiam. Pelo menos um tempo igual àquele gasto com atividades mentais não científicas. E por quê? Vamos pensar em alguns aspectos gerais.
Os períodos de passagem entre um milênio e outro suscitaram, desde o início da história da humanidade, um turbilhão de questionamentos e novas interpretações de muitos dos dogmas que vêm conduzindo a estruturação, manutenção e divulgação das formas de pensamento do homem. O início do século XXI e, conseqüentemente, o rompimento do último milênio não fugiram dessa – quase – regra histórica. O atual período foi marcado por um forte contraste entre as antigas concepções fundamentadas nos dogmas milenaristas (pelo menos do ponto de vista ocidental), tais como o “mito da criação divina”, “o mito do apocalipse”, entre outros, e as modernas concepções estabelecidas como resultado das metodologias e processos de construção do saber com base na ciência. É provável, que em nenhum momento histórico da humanidade será possível identificar a convivência cotidiana do homem com tantos avanços oriundos do seu desenvolvimento científico e tecnológico. Nunca a ciência (mais especificamente nas suas formas aplicadas) esteve tão direta ou indiretamente presente no cotidiano das pessoas. Até mesmo as pessoas menos informadas são influenciadas por mudanças produzidas pelo conhecimento científico.
Parece possível argumentar que nós (salvo alguns povos que se mantêm estruturados política e sócio-culturalmente sob um regime primitivista em algumas regiões da Terra), literalmente comemos, bebemos, cheiramos, vestimos, voamos e corremos (ou melhor, andamos, pois, nenhum mamífero do nosso grupo, exceto se estivermos falando a respeito de um guepardo, que pode atingir 110 Km/h, está adaptado para se locomover da forma como costumamos fazer todos os dias em nossos automóveis) através da ciência, dentre milhares de outros exemplos de atividades humanas modernas que vêm sendo superpotencializadas nos últimos séculos pelos avanços tecnológicos. Parece lógico acreditar que qualquer ser humano, independentemente das variações étnicas, sociais, teológicas e filosóficas, durante algum pequeno “ataque de lucidez”, deve se sentir estupefato todas as vezes que vislumbra a decolagem de um avião, a transmissão de uma imagem ao vivo (transmitida via satélite), ou quando vê a imagem do próprio interior do seu corpo através de um sistema de ultra-sonografia computadorizada (ou, pelo menos, se não se sentir deve-se ao fato de que o nosso cérebro produz uma sensação inercial que nos habitua, automaticamente, às situações repetitivas – cotidianas).
A mente de todo ser humano que nasce nos dias atuais e, conseqüentemente, sua forma de construir a estrutura do conhecimento que servirá de base para a sua relação com o universo ao seu redor está imersa, consciente ou inconscientemente, num contexto onde a existência da ciência faz uma grande diferença. Apesar de quaisquer excessos que possam ser cometidos por uma concepção racionalista da vida (o que não reduz de nenhuma forma a subjetividade associada a cada ser humano), o principal traço que diferencia o Homo sapiens de qualquer outro animal que vive nesse planeta está ligado diretamente à capacidade que ele teve, desde sua origem na Terra - 180 mil anos atrás - de criar formas complexas de compreender e influenciar o seu ambiente. A nossa cultura e tecnologia, que tanto nos diferenciam dos outros animais, podem ser interpretadas como a inevitabilidade histórica, com altos padrões de complexidade, da ação do animal humano sobre o planeta.
No início do seu desenvolvimento, os grupos humanos pré-históricos apresentavam, provavelmente, um padrão parecido com aquele esperado para outros mamíferos: manutenção de pequenas populações capazes de subsistirem em ambientes, na maioria das vezes, inóspitos. É impossível se discutir a origem do pensamento complexo do homem desvinculado da necessidade inicial dos grupos pré-modernos de compreender e manipular o ambiente, pois, a tecnologia – que em muitos aspectos serviu como base para o estabelecimento da cultura – foi o resultado histórico do acúmulo dessas experiências humanas no sentido de criar um mundo que atendesse às suas expectativas. Assim, a constatação de que o cenário epistemológico e filosófico inicial, onde foi “moldada a mente do homem primitivo”, era pobre em informações (primeiras concepções a respeito dos padrões que se expressam na natureza) e que o cenário atual (conjunto das informações científicas acumuladas ao longo dos últimos séculos) é rico, possibilitando uma interpretação mais complexa do universo, não se traduz superficialmente em uma análise qualitativa do homem moderno em relação ao homem antigo, mas na seqüência histórica natural da evolução do conhecimento. É provável que o acréscimo rápido e constante de conhecimento que estamos observando nos últimos séculos crie, para as gerações futuras, uma impressão de obscurantismo na nossa capacidade atual de compreendermos as relações com o mundo em que vivemos, tal como a que experimentamos hoje quando pensamos nos grupos humanos primitivos. Logo, a negação, ou negligência, do conhecimento científico é, em última análise, a negação da própria história do conhecimento humano, ou talvez, a parte mais instigante de toda a história humana. E, não somente, porque é a parte sincronizada ao nosso tempo, mas porque nela têm sido geradas as maiores revoluções nas formas do ser humano compreender e interagir com o seu ambiente.
Uma demonstração óbvia dessa afirmação (e que deveria ser trivial e necessária em qualquer introdução sobre o papel da ciência, em qualquer nível de discussão) está associada ao aumento da longevidade humana. No início do século XX a expectativa de vida, em zonas urbanizadas do Brasil, oscilava em torno de três a quatro décadas para humanos adultos. O conhecimento produzido por estudos desenvolvidos, principalmente, nas áreas de parasitologia, imunologia, infectologia, genética médica, cardiologia e oncologia (para citar apenas aquelas áreas básicas, e aplicadas, mais associadas à saúde pública) estenderam esses limites para um intervalo, que em regiões urbanizadas do Brasil e em outras partes do mundo, podem atingir o patamar de oito décadas (em média). É claro que podem ser discutidas todas as implicações políticas, socioeconômicas e/ou religiosas associadas a essa tendência, mas é indiscutível o valor e a importância da pesquisa científica nesse contexto. De fato, é provável que qualquer um de nós buscará um apoio técnico-científico sempre que se imponha uma situação de alteração grave da nossa saúde, ou de uma pessoa muito próxima.
(CONTINUA)

Escrito por Professor Cleiber às 18h24
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Uma mãe (em pleno estado de consciência) poderá tentar curar quaisquer “pequenos” males do seu filho, tais como dores de cabeça, indisposições gerais, dores musculares, disfunções digestivas, alterações de estado emocional produzidas pelo estresse, utilizando-se de “técnicas” não-científicas. Entretanto, sempre correrá em busca de auxílio técnico-científico quando o problema estiver relacionado com uma infecção crônica (produzida por um patógeno resistente, por exemplo), com uma disfunção congênita ou com tumores cancerígenos. É quase uma lição de filosofia popular: quando a situação é menos séria serve qualquer tentativa, mas quando a coisa é séria chamem a ciência. Esse padrão de conduta, ou postura, é até esperado (já que o ser humano é movido basicamente por necessidade), porém, parece bastante hipócrita que essa mesma mãe seja capaz de esquecer, ou até negar, o valor do conhecimento científico quando envolvida por argumentações esotéricas vazias ou pseudocientíficas.
Por mais psicológicos que sejamos, a nossa “caixa de pensamento” ainda é um invólucro, constituído por átomos, moléculas, tecidos, órgãos e uma infinidade de conexões nervosas que estão submetidas às mesmas leis naturais as quais está submetida a maior parte das estruturas que constituem a matéria - pelo menos a matéria macroscópica - do nosso universo. Apesar de acirrados debates entre teóricos de variadas áreas do conhecimento, tais como filosofia, teologia, epistemologia e história da ciência quanto à validade da secular discussão Descarteana sobre a dualidade mente-corpo (se a mente é resultado da atividade do próprio corpo ou se faz parte de algum processo fora da esfera material) avanços recentes das neurociências têm demonstrado que boa parte do nosso comportamento se expressa através de caminhos, ou vias de ação, que direta ou indiretamente estão influenciados pela estrutura biológica que constitui os nossos cérebros.
Nenhum cientista sério (principalmente após os longos, desgastantes e inócuos debates sobre a legalidade moral e ética da teoria sociobiológica) seria capaz de advogar a favor de uma base genética restrita associada ao controle do comportamento. Especificamente, defendendo a existência de um conjunto gênico determinístico que controle todas as nossas ações (é bom lembrar que quando falamos “nossas ações” não estamos pensando somente nos seres humanos, mas em todas as espécies de animais e, especificamente, primatas com os quais nos aparentamos). A natureza altamente complexa das nossas relações com o ambiente já inviabilizaria um modelo tão simplista de explicação para o comportamento. Entretanto, parece bastante coerente – com base nos conhecimentos atuais sobre o funcionamento do cérebro, e conseqüentemente da mente humana – que as mesmas predisposições genéticas que estabelecem limites de variação para a expressão morfofisiológica, desde o início do desenvolvimento do nosso embrião, são aquelas que também estabelecem os limites para a expressão de determinadas tendências comportamentais que são influenciadas direta ou indiretamente pela estrutura biológica dos nossos cérebros. Isso não quer dizer que existam genes específicos direcionando as nossas formas de agir, mas que ao escolhermos determinadas ações em detrimento de outras, quando submetidos a situações-problema do mundo real, não estaremos escolhendo (em média) a partir de um leque infinito de opções. Por mais lúdicos que possamos ser, parece lógico que essas escolhas serão feitas necessariamente dentro de limites de ação no mundo real que condicionam o funcionamento das estruturas morfológicas e da fisiologia dos animais. Por mais fascinante que possa parecer o sonho mitológico de Ícaro, nossa incapacidade de voar (assim como os limites pra nadar, correr, pular, de força física, de resistência à temperatura, pressão, insolação, etc.) não se deve a uma variação eventual de expressão do nosso livre arbítrio, mas sim ao fato de que todas as coisas materiais – tais como a água, as rochas, o ar, os organismos (plantas, animais, incluindo eu e você) – estão submetidos às mesmas leis físicas e químicas que afetam toda a matéria, provavelmente, em qualquer parte do universo. O efeito gravitacional que torna impossível a levitação espontânea de animais pesados, tais como humanos, elefantes ou baleias, parece se expressar da mesma forma em qualquer parte do universo, onde as condições sejam semelhantes. Ocorrendo, independentemente de uma interpretação “newtoniana” ou “einsteniana”. Esse e outros fatos óbvios, decorrentes da nossa existência nesse planeta, tornam necessária a compreensão racional do mundo que nos rodeia. Basta que percamos alguns minutos pensando neles.
Por acaso, a ferramenta mais poderosa concebida pela mente humana para esse fim (e que vem sendo produzida pela gradativa acumulação, análise e seleção de informações nos últimos três séculos) é a ciência. Daí a necessidade de se compreender o seu significado, forma de funcionamento e, principalmente, a sua real distinção de outras formas de produção de conhecimento criadas pelo homem ao longo de sua história, tais como a filosofia e a religião.

Escrito por Professor Cleiber às 18h23
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